MÃE SOLO E O MACHISMO


Texto inspirado na matéria do site HuffPost Brasil.

Dois diálogos. Li o óbvio: "vc é mãe, já sei q n rola nada sério" e "p q se já teve filho e tá solteira boa coisa n é". não existe homem mais fraco de caráter que aquele que pensa ser a mulher solteira com filhos objeto de descarte, brinquedo sexual, "serve só pra diversão" e ladainhas machistas do gênero. Em oposição a esse discurso, já li textos que enfatizaram o fato da mulher com filhos ser boa para relacionamentos porque é responsável (já que cuida dos filhos), é comprometida, não vive de modo aleatório. Ela tem as próprias demandas e as demandas dos filhos.

Acredito que o homem que diz "n dá pra rolar nada sério" é pq o nível de maturidade dele não é o mesmo que o dela. Realmente, aí não cabe discussão. E aqui cai bem a famosa frase: "antes só que mal acompanhada". Se for pra conviver com alguém que irá constantemente manter uma postura covarde é melhor descartar.

O bom da maturidade feminina é quando se aprende a arte de desapegar e não perder tempo com o que não acrescenta. Quanto ao discurso de "boa coisa não é", é uma visão de mão única, ele ver apenas o lado do macho: "porque o cara te deixou, então, se tu é legal, se tu se dá o respeito? então, por que o cara não te assumiu, não assumiu teu filho? boa coisa tu não é". (mentira, homens? é mentira que vocês se cagam de medo de pegar o filho/filhos de outro homem e criar com se fossem seus? sei que vocês vão dizer: não). Porque a verdade é que alguns homens (serei honesta) precisam de autoafirmação constante. Aceitar o filho de outro cara o rebaixa a papel de otário. (Que homem quer fazer papel de otário para outros homens? Nenhum). Eles não se importam em fazer papel de otário para as mulheres. Mas pagar de otário para os brothers... "Cara, como é que eu fico? Gosto dela demais, mas com os filhos dela não dá. E se o ex aparecer? Não. Não dá certo, não". (me permito rir dessa sentença pq o medo masculino de fazer papel de otário é realmente deplorável).

Sempre analisei as conversas com amigos homens, pretendentes e tal. Em todas as conversas não podia deixar de faltar a seguinte pergunta: "E o pai?". Eu tinha que respirar fundo, revirar os olhos e, por fim, responder. Com uma paciência que não faz muito parte de mim, eu respondia: sei lá. Outras vezes dava uma resposta mais completa. (Acontece se não estou mais magoada com o ex). Mas em todas as vezes eu senti uma vontade quase orgásmica de dizer: "quer saber do meu ex pra quê? tá interessado nele?". Isso porque eu entendo que de nada vai adiantar para um homem saber do ex, saber pq o ex deixou, pq escafedeu-se, sumiu, abandonou, rejeitou e o caralho de asa. O ex não importa, querido. Faça como a mulher com quem vc está conversando: mande o ex pro raio que o parta. Use a objetividade que lhe é tão peculiar para entender que ele não quis. Ponto. E antes dos achismos, dos pré-julgamentos, de discriminar, pergunte você mesmo: Ei, tu presta? O que tu quer? Tu tá afim de coisa séria ou quer só brincar? Ela vai te dizer. Confie na subjetividade feminina. Acredite quando alguém te diz que as mulheres gostam de falar sobre elas mesmas. Confie nos textos sobre alma feminina que você, provavelmente, já leu na internet. E pergunte a ELA tudo o que quer saber, o que precisa saber. Nunca comece pelo ex. Comece por ela. Faça isso antes de julgar.

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